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COVID-19: Pandemia mostrou fragilidades, mas é oportunidade, afirma ministro das Finanças

26 de Junho de 2020, 01:08

A pandemia da COVID-19 exacerbou as fragilidades e desigualdades que Timor-Leste já sentia, mas pode ser uma oportunidade para corrigir essas questões e melhorar o desenvolvimento nacional, disse ontem o ministro das Finanças.


“A COVID-19 veio ampliar alguns dos problemas e disparidades existentes, tornando mais claro do que nunca quais são as questões que carecem de maior atenção”, disse Fernando Hanjam, numa mensagem em vídeo para uma reunião promovida pelas Nações Unidas em Nova Iorque.

“Neste contexto vemos os esforços de recuperação socioeconómica a longo prazo como uma oportunidade para abordar alguns desses desafios e desigualdades subsistentes e priorizar o investimento para reconstruir melhor”, considerou.

A mensagem foi gravada para ser apresentada na sexta-feira em Nova Iorque no Recover Better Together Action Fórum (Fórum de Ação “Recuperar Melhor Juntos”), promovido pelas Nações Unidas para analisar os vários desafios que o mundo enfrenta no cenário da pandemia de COVID-19.

O encontro, por convite, pretende, segundo as Nações Unidas, “ajudar a catalisar as parcerias e financiar as necessidades do Fundo Recuperar Melhor”, não só para responder de imediato à pandemia, mas para pensar “mudanças duradouras”.

Centrado na obtenção de uma primeira ronda de investimentos, o fundo pretende adquirir equipamentos e material médico para a resposta à COVID-19, mas também expandir as redes de segurança social, diminuir o fosso digital e construir infraestrutura, inclusive para água e saneamento, para apoio a vários países em todo o mundo, incluindo Timor-Leste.

O objetivo global é conseguir apoio financeiro de dois mil milhões de dólares, dos quais mil milhões nos primeiros nove meses.

No caso de Timor-Leste, Hanjam sublinha que é importante continuar a caminhar para os objetivos de desenvolvimento sustentável, procurando “proteger os ganhos de desenvolvimento” do país desde a restauração da independência, em 2002.

“Tendo em atenção a nossa população jovem, devemos garantir que a nossa recuperação e crescimento económico são inclusivos, equitativos e ambientalmente sustentáveis”, considerou.

Hanjam referiu as medidas de prevenção e mitigação introduzidas em Timor-Leste, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros parceiros, para combater a COVID-19.

Ainda que em termos epidemiológicos a situação tenha ficado controlada – o país está sem casos ativos, os 24 pacientes infetados já recuperaram e não há casos novos há mais de dois meses -, o mesmo não ocorreu em termos sociais e económicos.

“A COVID-19 despoletou uma crise humana que afeta a segurança da espécie humana. A vida e os meios de subsistência dos mais pobres e vulneráveis, incluindo as mulheres, os jovens, as pessoas com deficiência, que foram atingidos de forma desproporcional pelas medidas restritivas que fomos forçadas a tomar”, considerou.

“Muitos perderam rendimentos e alguns perderam os seus empregos, especialmente no setor informal, muitos dos quais são mulheres”, disse.

O Governo adotou já algumas medidas socioeconómicas e está a desenhar um plano de recuperação a três anos, que “obriga a fazer escolhas” sobre a direção nacional.

Em termos internacionais, Hanjam frisou que a pandemia “fez sobressair de forma gritante a interconectividade global”, mostrando que “os desafios globais exigem soluções globais”, postura que Timor-Leste continua a defender.

“Como beneficiário e defensor do multilateralismo, Timor-Leste espera continuar a trabalhar em estrita colaboração com a ONU, não apenas para recuperar melhor Timor-Leste, mas também para reconstruir juntos um mundo melhor”, considerou.

Numa segunda mensagem para o mesmo encontro, Brígida Soares, responsável da Unidade de Planeamento Monitorização e Avaliação (UPMA), do gabinete do primeiro-ministro, apelou à continuidade do apoio dos parceiros internacionais para a recuperação de Timor-Leste.

“O impacto da COVID-19 no país foi tremendo, especialmente em termos socioeconómicos, a curto e a longo prazo”, disse.

“O Governo já criou uma comissão que vai desenhar um plano de recuperação para identificar medidas e ações que possam guiar o governo nos próximos anos de recuperação económica”, afirmou.

Lusa

 


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