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COVID-19: Controlos fronteiriços continuam em Timor-Leste após fim do estado de emergência

26 de Junho de 2020, 18:11

Timor-Leste termina hoje o estado de emergência, aplicado devido à pandemia da COVID-19, mas as medidas no país, particularmente nas fronteiras e na quarentena, vão continuar, segundo um responsável do centro de gestão de crise.


“As fronteiras vão continuar fechadas por enquanto, pelo menos até haver novas decisões do Conselho de Ministros. No caso da fronteira terrestre, vamos continuar a abrir apenas duas horas, uma vez por semana”, explicou à Lusa Aurélio Guterres, coordenador do destacamento de reação rápida do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC).

“No caso de voos, e pelo menos durante julho, deveremos ficar apenas com os voos da AirNorth, entre Darwin e Díli, três vezes por semana, fretados pelo Governo”, explicou.

Guterres sublinhou que, sem casos ativos no país, o foco do Governo continuará a ser nas fronteiras, especialmente as terrestres com a vizinha Indonésia, onde o número de casos continua a aumentar e onde há transmissão comunitária.

Por isso, disse, o Governo deve manter a quarentena obrigatória, ou autoquarentena ou confinamento obrigatório em casa, mantendo igualmente o processo de testes, quer a quem entra no país, quer na vigilância sentinela, a pessoas que se apresentem nos postos de saúde com sintomas de doenças respiratórias.

“Essa vigilância vai continuar”, garantiu um dos responsáveis do CIGC, estrutura criada pelo Governo para lidar com a pandemia e que também se extingue com o fim do estado de emergência.

Pedro Klamar Fuik, outro dos elementos do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC), também refere o foco na fronteira terrestre, explicando à Lusa que há que encontrar um equilíbrio entre as necessidades de vigilância e prevenção e a situação dos muitos timorenses que fazem vida transfronteiriça ou dos que querem regressar.

“A fronteira em si, sobretudo a terrestre, é importante para Timor, sobretudo para as pessoas que vivem daquele lado e têm atividades aqui e vice-versa. Há ainda o canal do comércio transfronteiriço que é muito importante”, afirmou à Lusa.

“E também temos de considerar os timorenses que viveram este período de emergência e não se puderam deslocar. E todos querem voltar a casa, obviamente”, afirmou.

Uma questão que suscita preocupações, nota Pedro Klamar Fuik, especialmente por haver zonas na Indonésia de contágio comunitário.

“Há zonas onde há mais propagação, ou transmissão comunitária, e as pessoas poderão vir e trazer algum caso infetado, e isto preocupa-nos. Mas não podemos continuar a fechar o país”, disse.

A resposta relativamente rápida das autoridades, com o fecho de fronteiras e a quarentena obrigatória a quem chegava, a resposta pronta da população timorense – dezenas de milhares de pessoas saíram de Díli – e alguma sorte permitiram a Timor-Leste, pelo menos para já, evitar danos no campo da saúde.

O país registou o seu primeiro caso de COVID-19 em 21 de março – um cidadão estrangeiro que tinha viajado do exterior –, iniciando uma semana depois o primeiro período de 30 dias de estado de emergência.

O segundo caso surgiu em 10 de abril, um cidadão timorense que entrou pela fronteira terrestre com a Indonésia, mais dois poucos dias depois, e em 26 de abril já havia 18 casos.

O número máximo de pacientes infetados, 24, ocorreu no dia 24 de abril, tendo todos os pacientes recuperado e o país ficado sem casos ativos em 15 de maio, quando já decorria o segundo mês de estado de emergência.

Apesar de não ter casos ativos, o Governo optou por alargar o estado de emergência por mais 30 dias, período que termina às 23:59 de hoje, hora local.

Com o fim do estado de emergência, Klamar Fuik explicou que as funções e responsabilidade da Sala de Situação do CIGC passam agora para o Ministério de Saúde, ainda que a estrutura “desmantelada fique sob alerta, para serem chamados se porventura surgirem novos casos”.

Pedro Klamar Fuik sublinhou que o êxito em termos de controlo da doença em Timor-Leste, pelo menos para já, se deve à “cooperação entre Estado, parceiros internacionais e a população”.

“Houve uma conjugação de vontades, de todo o público em geral, nacional e internacional, neste combate de uma pandemia global e cujos efeitos se sentem também aqui em Timor-Leste”, notou.

Aurélio Guterres também sublinhou esse “esforço conjunto”, mas apontou que depois do estado de emergência “há outro desafio”, o de continuar a evitar novos casos.

O relatório do CIGC deverá ser apresentado ao Parlamento Nacional na próxima semana.

Lusa

 


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