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COVID-19: OMS recomenda que Timor-Leste continue alerta e vigilante

26 de Junho de 2020, 19:31

O responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou hoje que Timor-Leste se mantenha “alerta e vigilante” e continue a avançar nos preparativos do sistema de saúde para poder responder a eventuais novos casos de COVID-19.


Rajesh Pandav disse à Lusa que, até agora, a combinação de medidas de saúde pública, medidas sociais e um “controlo inteligente” das fronteiras, permitiu ao país estar atualmente sem casos ativos, com um número baixo de doentes infetados.

“Mas Timor-Leste partilha uma fronteira terrestre com a Indonésia. Os casos na Indonésia e noutras partes do mundo, especialmente na Ásia, estão a aumentar. E é provável que vejamos esse efeito aqui também no futuro próximo”, considerou.

“É por isso que precisamos permanecer alertas, vigilantes e continuar a fortalecer a preparação e a resposta para futuras importações de casos”, sublinhou.

Pandav falava à Lusa no dia em que Timor-Leste termina o seu terceiro período de 30 dias em estado de emergência devido à pandemia, estando há quase dois meses sem novos casos e atualmente sem casos ativos, com a recuperação dos 24 doentes infetados.

A resposta relativamente rápida das autoridades, com o fecho de fronteiras e a quarentena obrigatória a quem chegava, a resposta pronta da população timorense – dezenas de milhares de pessoas saíram de Díli – e alguma sorte permitiram a Timor-Leste, pelo menos para já, evitar danos no campo da saúde.

Mesmo antes do primeiro caso ser detetado, as autoridades, apoiadas pela OMS e por vários parceiros de desenvolvimento – incluindo a China, Austrália, União Europeia, Japão e Nova Zelândia – introduziram um conjunto de medidas para procurar responder a eventuais casos.

Pandav destacou, entre outras questões, a entrada controlada e depois totalmente limitada de pessoas em Timor-Leste, com todos “obrigatoriamente submetidos a quarentena de 14 dias em instalações identificadas pelo Governo e hotéis reutilizados”.

Foi igualmente preparado um centro de isolamento e dada formação a equipas técnicas e de emergência, com um reforço significativo da capacidade do Laboratório Nacional de Timor-Leste que tem capacidade de testar a nível nacional.

“Profissionais de saúde, equipa de suporte e equipas de emergência foram treinados rapidamente na gestão de casos e controlo de infeções”, recordou.

Apesar do país ter recebido apoio com algum equipamento médico e material de proteção pessoal, o sistema de saúde nacional continua a enfrentar vários desafios, tanto em termos de infraestruturas como de meios técnicos e humanos.

Problemas crónicos do próprio sistema que são ampliados numa situação como a de pandemia.

“Um dos maiores desafios do país é garantir que há capacidade no país para lidar com cases graves e severos e com a abertura das fronteiras. Importa também gerir o potencial grande influxo de pessoas, garantindo a quarentena e que as estruturas de isolamento estão prontas”, sublinhou.

Numa apresentação esta semana 'online' organizada pela OMS com vários países, uma das porta-vozes do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC), Odete da Silva Viegas, fez um ponto de situação da resposta à pandemia no país.

Um dos pontos centrais da atual resposta continua a ser a vigilância sentinela, um processo de rastreio em todos os centros de saúde do país que realiza testes a que se apresente com sintomas de doenças respiratórias, que podem estar a ‘esconder’ eventuais casos de COVID-19.

O país não teve, até ao momento, qualquer caso de transmissão comunitária, com os casos confirmados a serem importados ou resultantes de contactos diretos, em locais de quarentena com pessoas infetadas.

Dos 24 casos positivos, um deles foi um profissional de saúde.

A pandemia de COVID-19 já provocou quase 484 mil mortos e infetou mais de 9,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Lusa

 


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