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Língua portuguesa faz a diferença em Macau - Diretora do jornal "Ponto Final"

16 de Novembro de 2011, 21:44

Macau, China, 16 nov (Lusa) - O diário Ponto Final, jornal de língua portuguesa que se publica em Macau, cumpre hoje 20 anos de publicação e quer continuar a intervir em português, a língua que faz com que Macau "seja diferente, pense diferente".

Em declarações à agência Lusa, Isabel Castro, a atual diretora do diário - que já foi semanário - recordou que, ao "contrário do que alguns diziam aquando da transferência de Macau, a imprensa em língua portuguesa sobreviveu aos novos tempos do território".

"Sobreviveu e, agora, vive", vincou.

Sobre o Ponto Final, disse, o jornal "conheceu" desde o início "algumas transformações, mas em termos de princípios editoriais houve uma manutenção de valores".

"Tentamos informar com objetividade, mas também gerar o debate de ideias, contribuir para que se faça uma reflexão sobre o que é Macau", afirmou ao salientar que não menos importante é o facto de este jornal, como outros, ser uma publicação de língua portuguesa no sul da China, em 2012.

"A questão da manutenção e respeito pela língua é coisa que nos preocupa: é a língua portuguesa que faz com que Macau seja diferente, pense diferente. E é em português que trabalhamos. Gostaria muito que o jornal pudesse continuar a contribuir, como tem feito, para esta ideia de lusofonia, de língua nos vários cantos do mundo", sustentou.

Sobre o futuro, Isabel Castro é cautelosa e fala apenas no imediato: "Não me parece que a imprensa em língua portuguesa corra o risco de desaparecer. As redações parecem estar hoje mais fortes, com mais pessoas e com uma nova dinâmica, quando comparando com que aconteceu logo após 1999".

Como experiência pessoal diz sentir "respeito" pelo trabalho nos mais variados quadrantes da sociedade e "valorização" pelo contributo que o jornal dá fazendo jornalismo numa língua distinta da maioria da população, "logo com um contexto e background cultural diferentes".

Para o Ponto Final, Isabel Castro pretende "consolidar o que tem vindo a ser feito nos últimos tempos", ou seja, continuar a trabalhar para "sobretudo através da cultura, romper com a esfera limitada em que facilmente podemos escorregar e, em simultâneo, partilhar com quem cá vive um lado da lusofonia que estará menos acessível".

Com uma edição aumentada - 52 páginas quando normalmente o jornal, como os outros, varia entre as 16 e as 24 páginas - o Ponto Final destaca na sua edição de hoje as Linhas de Ação Governativa apresentadas pelo Chefe do Executivo Fernando Chui Sai On na terça-feira, apresenta ecos das reações às propostas e analisa politicamente o futuro local.

Além do noticiário normal, o jornal passa ainda em revista os 20 anos de publicação com depoimentos de colaboradores e antigos diretores e recordando um percurso nem sempre fácil de cumprir.

JCS.

Lusa/fim


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