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Cineasta brasileiro defende polo de cinema em Macau a acompanhar indústria de entretenimento

04 de Outubro de 2012, 22:54

Macau, China, 04 out (Lusa) - O cineasta brasileiro Lázaro Faria defendeu hoje que Macau pode ter um polo de cinema que, a par da indústria de entretenimento, seja mais uma fonte de rendimento para a cidade, onde se encontra a filmar um documentário.

Macau "é uma cidade muito cinematográfica. Sem dúvida, com esta indústria de entretenimento, dos casinos, naturalmente teria de haver uma 'film comission' e o surgimento de uma indústria cinematográfica que seria mais uma fonte de rendimento", afirmou.

Convidado do DocBrazil Festival 2012 realizado em Macau, após passagem por Pequim e Xangai, Lázaro Faria aproveitou a presença na Região para continuar a rodagem de um documentário sobre a expansão da capoeira no mundo, e para realizar uma oficina de cinema com alunos de várias origens.

Ao destacar o potencial de Macau para a realização de filmes e outras produções para televisão como telenovelas e filmes publicitários, o cineasta apontou a maior facilidade de filmar a China a partir daquela região administrativa especial chinesa e da vizinha Hong Kong.

Para o realizador brasileiro, que assinou produções como "Cidade das mulheres" e "Corneteiro Lopes", Macau tem ainda a vantagem de "ser muito acessível" e "mais tranquilo, mesmo em relação à grande metrópole de Hong Kong, onde "é tudo muito corrido".

"Eu acho perfeito instalar-se um polo de cinema aqui em Macau. Não sei se já alguém pensou nisso, mas já deve ter pensado porque é algo que anda junto com o entretenimento destes casinos, como nos Estados Unidos, como em outros lugares", argumentou.

A "multicultura" e a diferença da língua portuguesa são outros aspetos que na perspetiva de Lázaro Faria aumentam o interesse de Macau para a indústria cinematográfica.

Ao observar o "grande desconhecimento do ocidente em relação à Ásia", o cineasta mostrou interesse em coproduzir um filme que mostre o Brasil à China, baseado numa sugestão do presidente da Associação de Macau para a Promoção entre Ásia-Pacífico e América-Latina (MAPEAL), Gary Ngai.

"Conheci um chinês muito interessante chamado Gary [Ngai] (...) e ele deu uma ideia de um documentário. Ele sugeriu uma viagem de cinco chineses que falam português a cinco regiões do Brasil", descreveu.

A ideia de apresentar o país através do olhar dos chineses que "estudam Economia, Relações Internacionais e Português" na universidade em Macau ganha dimensão face ao "grande intercâmbio que hoje existe entre a China e o Brasil".

"A China vai lá fazer grandes obras como o comboio de alta velocidade e outras coisas mais. Achei muito interessante, e o que faz a junção, o link, é a língua portuguesa", comentou.

O cineasta, que também preside à Casa de Cinema da Baía, disse ainda que o estado onde reside no Brasil pode ainda aprender com Macau no turismo, sugerindo uma troca de experiências a esse nível entre a região especial administrativa chinesa e São Salvador da Baía.

FV // VM.

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