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Suco de Suai Loro aguarda chegada do desenvolvimento na costa sul de Timor-Leste

22 de Julho de 2013, 20:37

Díli, 22 jul (Lusa) - Os dias, no suco de Suai Loro, na costa sul de Timor-Leste, são dedicados à pesca e à agricultura, enquanto se espera com expetativa pelo desenvolvimento que vai chegar com o projeto Tasi Mane.

Situado a cerca de 175 quilómetros a sudoeste de Díli, no distrito de Covalima, o suco de Suai Loro, perto do Suai, é um conjunto de cinco aldeias, espalhadas à beira-mar, onde vivem 903 famílias, que ultrapassam os três mil habitantes, a maior parte dos quais jovens.

São aliás os jovens, a maior preocupação de Martinho Mendonça, de 42 anos, eleito há quase três anos chefe de suco pela população das cinco aldeias por quem é agora responsável.

"Se forem criando trabalho, o pensamento que está mal pode mudar. É preciso uma escola técnica para os ensinar a serem carpinteiros e eletricistas", afirmou.

Os 175 quilómetros que separam aquele suco de Díli demoram cerca de 13 horas a fazer nos autocarros, conhecidos como a 'biscota' e a 'anguna'.

A degradação das estradas piorou com a última época das chuvas e há locais onde só pode passar um carro de cada vez.

"As estradas estão boas, os carros é que não prestam", brincou e riu à gargalhada Martinho Mendonça.

Junto à praia, a torneira de petróleo, instalada pelos portugueses nos anos 60, não trouxe ainda nada de novo e a maior parte da população continua a dedicar-se à agricultura e à pesca de subsistência.

O peixe é vendido no mercado do Suai para comprar arroz, a base alimentar dos timorenses, que comem juntamente com legumes, que cultivam.

As mulheres fazem 'tais' (panos tradicionais timorenses feitos num tear) e esteiras pintadas, que conseguem vender aos raros estrangeiros que por ali passam e aos professores portugueses que os visitam.

Os jornais não circulam e as poucas televisões que existem só funcionam quando há luz elétrica, que segundo o governo timorense deverá chegar em permanência a partir de agosto, quando for inaugurada a central elétrica de Betano.

"Algumas pessoas têm televisão, mas só funciona quando há luz", disse.

Quando há eletricidade, as pessoas juntam-se nas casas dos vizinhos que têm televisão para ver as novidades, mas os canais preferidos, reconheceu Martinho Mendonça, são os indonésios, também porque não se fala português.

"As línguas são o tétum e o bahasa indonésio", explicou.

Sem água potável e com a maior parte da população desempregada, a esperança das pessoas está direcionada para o Tasi Mane, um projeto do governo timorense que tem como principal objetivo desenvolver a costa sul do país através da indústria petrolífera.

O projeto inclui a construção de três grupos industriais, que serão a espinha dorsal daquele setor empresarial do país, nomeadamente uma base de fornecimento no Suai, a refinaria e um grupo de indústria petroquímica em Betano e uma exploração de gás (através do gasoduto que as autoridades timorenses pretendem ver construído a partir do Greater Sunrise) em Viqueque/Beaço.

"Vai ser muito bom e estamos muito contentes, porque vai haver mais movimento e mais oportunidade de emprego para os jovens", afirmou à agência Lusa o chefe do suco de Suai Loro, Martinho Mendonça.

Na saúde, o chefe de suco garante que até estão bem servidos com o hospital do Suai, a cinco quilómetros, e a carrinha do Serviço Integrado da Saúde Comunitária, que visita o suco uma vez por mês.

Para Martinho Mendonça, o mais "urgente" é construir um centro comunitário.

"É preciso luz", insiste, para ter um "centro comunitário com livros, computadores e Internet para os jovens", sublinhando que é uma forma de terem acesso à informação e ao conhecimento.

É que a Díli, à capital do país, as pessoas do suco só vão "uma ou duas vezes por ano" e as que vão com mais frequência "são os que têm lá família", explicou.

MSE // PJA

Lusa/Fim


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