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Milhares de pessoas nas ruas de Macau contra regime de garantias para principais cargos políticos

25 de Maio de 2014, 22:26

Macau, China, 25 mai (Lusa) - Milhares de pessoas saíram hoje à rua em Macau contra a proposta de lei de garantias dadas aos titulares dos principais cargos políticos, um protesto cujos organizadores dizem ser o maior desde a transferência da administração em 1999.

Sem dados das autoridades ainda divulgados, o grupo "Consciência Macau", pela voz do ser líder Jason Chao, ativista e ex-candidato à Assembleia Legislativa, refere 20.000 pessoas, enquanto José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), é menos otimista e aponta entre 10.000 a 15.000 manifestantes.

Já Ng Kuok Cheong, deputado à Assembleia Legislativa pela Associação "Novo Macau", também presidida por Jason Chao, garante que da praça do Tap Seac saíram 15.000 pessoas.

Todos os dirigentes associativos coincidem, no entanto, num ponto: "Este foi o maior protesto em Macau desde a transferência de poderes de Portugal para a China", algo que Pereira Coutinho considera marcante porque "tantos residentes estão em sintonia contra um assunto que, é consenso geral, deve ser retirado", sublinhou.

Para Ng Kuok Cheong, a sociedade de Macau "é diferente da do seu tempo, com os jovens a terem uma formação académica superior e maior consciência" pelo que defendeu que o Governo e o Chefe do Executivo "devem adaptar as suas políticas á nova realidade da sociedade de Macau".

A manifestação de hoje acabou no Jardim da Penha junto às residências oficiais dos titulares dos principais cargos políticos, mas já sem o 'mar' de gente que chegou junto à sede do Governo e se concentrou mais de uma hora junto aos lagos Nam Van.

Depois de petições entregues na Assembleia Legislativa quer pela "Consciência Macau", quer pela ATFPM, solicitando que o projeto seja retirado, a manifestação ficou marcada por palavras de ordem em chinês, nomeadamente, "Retirem o diploma" ou "Chui Sai On retira o diploma".

Entre os muitos cartazes em chinês, eram visíveis palavras de ordem em português como: "Ali Babá e os 40 ladrões", "Não tem vergonha", "Não há justiça" e "Roubam o cofre do povo", mensagens que um manifestante que se identificou como Eric explicava traduzirem a "indignação popular".

No final do protesto, os organizadores prometeram uma concentração para terça-feira junto ao edifício da Assembleia Legislativa, caso o Executivo não ceda e retire a proposta de lei que será aprovada na especialidade nesse dia.

Um dos pontos contestados do regime prende-se com a imunidade, com a proposta a ditar que "o procedimento penal não é aplicável contra o chefe do Executivo durante o seu mandato", um "privilégio que normalmente e apenas é concedido a chefes de Estados soberanos, chefes de governos nacionais e diplomatas", observa a associação.

O grupo "Consciência Macau" está ainda contra as avultadas compensações a que terão direito os antigos chefes do Executivo e titulares dos principais cargos da Região Administrativa Especial chinesa, considerando que "a distribuição dos recursos públicos se torna ainda mais injusta, criando uma nova classe privilegiada".

Aos titulares dos principais cargos não vinculados à função pública, a compensação será calculada com base em 30% da remuneração mensal auferida na data da cessação de funções. Para os titulares dos principais cargos vinculados à função pública, mantém-se a proposta aprovada na generalidade em dezembro, isto é, a compensação será calculada com base em 14% da remuneração mensal auferida na data da cessação de funções.

Do mesmo local de concentração inicial, partiu um pouco antes um 'contraprotesto' com cerca de duas centenas de pessoas da associação de conterrâneos de Jingmen, cujo vice-presidente é Mak Soi Kun, deputado à Assembleia Legislativa, e que se manifestou em defesa da proposta de benefícios aos titulares de cargos políticos.

JCS (DM) // GC.

Lusa/fim


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