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Ativistas de Macau pedem reforma política junto à Assembleia Legislativa

16 de Outubro de 2014, 19:36

Macau, China, 16 out (Lusa) - A Novo Macau, a maior associação pró-democracia do território, pediu hoje, à porta da Assembleia Legislativa (AL), o início da reforma política, aproveitando o momento de debate desencadeado pelos protestos em Hong Kong.

No dia em que se realizou a primeira sessão legislativa depois das férias, o presidente da associação, Sulu Sou, e outros membros da direção entregaram panfletos aos deputados onde se podia ler "Avancem com a reforma política, lutem por sufrágio universal", uma frase que também estava escrita nos chapéus de chuva amarelos colocados nos degraus da assembleia, símbolo dos protestos pró-democráticos em Hong Kong.

"Estamos a aproveitar o início da sessão da Assembleia para pedir aos deputados que pensem na reforma política. É o momento certo para os lembrar disso. Aproveitando que em Hong Kong vai começar uma consulta pública [sobre o tema], achamos que Macau devia fazer o mesmo", disse Jason Chao, dirigente da Associação Novo Macau (ANM) e organizador do referendo civil em agosto, que se propôs avaliar a opinião da população sobre a eleição do Chefe do Executivo por sufrágio universal.

O ativista prometeu que a associação vai continuar a insistir neste referendo e já encomendou, por exemplo, um inquérito ao Programa de Opinião de Pública da Universidade de Hong Kong sobre "a atitude dos cidadãos acerca da composição da AL e sobre a eleição do chefe do Executivo por sufrágio universal".

Os resultados deste inquérito são esperados para dezembro.

O método de protesto utilizado na região vizinha não está a ser equacionado, por considerarem que "a ocupação de espaços públicos não ia conseguir apoio popular em Macau".

A direção da ANM conta com os dois deputados da associação, Ng Kuok Cheong e Au Kam San, para desencadearem debate dentro da assembleia.

A reforma política é um dos poucos assuntos em que os veteranos da associação e os membros mais jovens, que hoje lideram a ANM, estão a trabalhar juntos.

Esta semana, os deputados anunciaram que iriam separar-se da associação - mantêm-se como membros, mas o seu escritório deixa de ser na sede da Novo Macau. Segundo o Jornal Tribuna de Macau, Ng Kuok Cheong e Au Kam San pretendem ainda reduzir o apoio financeiro que há mais de 20 anos cedem à ANM e que inclui 20% do seu salário.

Jason Chao, que assumiu a presidência entre 2010 e julho deste ano, lembrou que no passado "não havia distinção" entre a associação e os deputados.

"Era mais um clube de fãs, tinha apenas um papel de apoio aos deputados. Mas desde que me tornei presidente que o nosso envolvimento em assuntos políticos e sociais se tornou mais óbvio. No passado, todas as questões políticas eram lideradas pelos deputados, mas isso mudou", defende.

A distância entre os membros veteranos e a ala mais jovem tem-se vindo a acentuar ao longo dos anos e foi agravada com a perda de um deputado nas eleições para a AL de 2013 - a associação optou por concorrer com três listas, ao invés das habituais duas, por vontade da ala jovem, e acabou por obter resultados menos favoráveis.

Os membros discordam sobre as estratégias a adotar - os jovens são mais adeptos do protesto nas ruas e ações mais ousadas - e sobre os temas sobre os quais se devem debruçar.

"Podemos verificar algumas disputas em assuntos políticos, direitos LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais], direitos dos trabalhadores não-residentes, etc. Nestes assuntos em particular não partilho da visão dos deputados", defende Jason Chao.

Apesar das divergências, que vêm dividir a base do campo democrático de Macau, o ativista vê estes desenvolvimentos como "algo normal" e afasta consequências negativas para o movimento.

ISG // PJA

Lusa/fim


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