Bissau, 30 out (Lusa) - A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) encoraja as autoridades da Guiné-Bissau no sentido de admitirem que a força militar oeste africana estacionada no país seja reconfigurada para que tenha um mandato das Nações Unidas.
A posição é um dos pontos das conclusões e recomendações finais da reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros realizada quarta-feira em Bissau e hoje divulgadas à imprensa.
A CPLP "encoraja as autoridades" da Guiné-Bissau a concertarem com a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental), e outros parceiros africanos, o mandato de uma ECOMIB (contingente militar da Africa Ocidental) reconfigurada para apoiar a implementação das reformas no setor militar, lê-se no comunicado a que a agência Lusa teve acesso.
Com o golpe militar de abril de 2012, a CEDEAO estacionou em Bissau a Ecomib, força composta por 700 elementos, entre soldados e policias, para ajudar a estabilizar a Guiné-Bissau.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da comunidade lusófona enalteceram "o papel positivo" que a Ecomib desempenhou desde o golpe de Estado, acrescenta ainda o comunicado.
Uma vez reconfigurada esta força e com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas o processo de reformas na Guiné-Bissau poderia "gerar confiança internacional" e captar financiamentos, diz o documento.
A este propósito os chefes da diplomacia de países lusófonos chamaram atenção das autoridades guineenses sobre o facto de brevemente o Conselho de Segurança ir debruçar sobre a renovação da presença da Uniogbis (gabinete integrado das Nações Unidas para consolidação da paz na Guiné-Bissau) pelo que, notaram, era desejável que houvesse iniciativas nesse sentido.
Uma força militar com o mandato das Nações Unidas poderia servir para mobilizar a comunidade internacional para apoiar a mesa-redonda de doadores que as autoridades de Bissau pretendem realizar em fevereiro em Bruxelas, Bélgica, enalteceram ainda os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP.
Saudaram ainda a revitalização do Grupo Internacional de Contacto (GIC) para Guiné-Bissau, espaço que dizem constituir-se num quadro institucional de acompanhamento das ações e iniciativas levadas a cabo pelas autoridades guineenses, com vista a promover, encorajar e apoiar as melhores práticas de boa governação e o financiamento de programas de desenvolvimento.
MB // PJA
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