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Cinema é oportunidade para transmitir mensagem de paz em Moçambique - UE

23 de Abril de 2015, 01:53

Maputo, 22 abr (Lusa) - O embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique considerou o ciclo de documentários Instidoc, que se iniciou hoje em Maputo, uma oportunidade para transmitir uma mensagem de paz aos moçambicanos, quando o país atravessa um clima "volátil".

"A segunda edição do Instidoc faz parte do intercâmbio cultural mundial e constitui uma oportunidade para transmitirmos uma mensagem de paz e de reconciliação aos moçambicanos. É que nós queremos fazer no filme 'Cinco Elementos', feito pela UE em 2014, apoiar a manutenção da paz que ainda é muito volátil em Moçambique", disse hoje à Lusa Sven Burgsdorf, à margem da sessão inaugural do Ciclo de Documentário Institucional.

O ciclo, promovido pela associação Movimento, Cultura e Desenvolvimento, vai decorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano e pretende divulgar iniciativas cinematográficas institucionais de realizadores de 12 países ou territórios (Moçambique, Portugal, Brasil, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Indonésia, Itália, Madagáscar, Quénia, Uganda, Sara Ocidental e Timor Leste).

Dos 24 documentários a serem exibidos, metade versam sobre Moçambique e pretendem abordar temas como direitos humanos, educação, empreendedorismo e saúde, ambiente e conservação, agricultura e agroindústrias e cultura.

"A nossa intenção é problematizar, divulgar, debater e solucionar as temáticas que cá trazemos nos documentários. O género institucional tem mérito e por isso foi a nossa escolha", declarou à Lusa Benilde Matsinhe, coordenadora do Instidoc, lembrando que Moçambique tem uma tradição na produção de filmes institucionais em África.

A sessão inaugural da segunda edição do ciclo de documentários institucionais decorreu hoje no Centro Cultural Franco Moçambicano, na capital moçambicana, e contou com a presença de cineastas e produtores de cinema estrangeiros.

"Esta iniciativa vai reforçar a importância da cultura na sociedade e nós queremos fazer parte desta ação. Esta é também a nossa ambição, valorizar elementos culturais do povo moçambicano", disse à Lusa Leandro Estrela, diretor da produtora brasileira Cine Vídeo, que dirigiu o documentário "Marrabenta, Som de Moçambique", do realizador Victor Lopes.

Por seu turno, a realizadora brasileira Júlia Pá defendeu à Lusa que a iniciativa do Instidoc é importante e única, destacando o facto de os temas abordoados retratarem a realidade quotidiana das populações dos países participantes.

"O Instidoc é um dos únicos festivais que trabalham só com documentários. Isso é muito importante e louvável, pegar temas sociais e discuti-los através da arte. Aliás, percebemos que os documentários transmitidos têm um toque artístico", defendeu Júlia Pá, realizadora do documentário "Pernambuco no Batente".

Além da associação Movimento, Cultura e Desenvolvimento e do Centro Cultural Franco-Moçambicano, a iniciativa tem o apoio do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC) de Moçambique e do portal SAPO.

Moçambique é considerado um dos pioneiros na produção de documentários em África.

Após a independência, em 1975, o Governo moçambicano entendeu que o cinema poderia ser um instrumento para difusão de ideias de reconstrução da nação e, através de um sistema de documentários que garantiam a produção nacional chamado Kuxa Kanema, incentivou a produção e a divulgação do género no país.

EYAC // EL

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