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Colar de conchas com 6.500 anos ajuda a datar comunidades em Timor-Leste

03 de Agosto de 2015, 14:44

Díli, 03 ago (Lusa) - Conchas trabalhadas com mais de 6.500 anos e que poderá ser o segundo mais antigo do mundo, encontrado recentemente em Timor-Leste, pode ajudar arqueólogos de uma universidade australiana a perceber melhor a interação humana no sudeste asiático.

"Esta é a prova mais antiga deste tipo de conchas usadas nesta região do mundo e a segunda mais velha do mundo", explicou Michelle Langley, da Faculdade de Arqueologia e História Natural da Australiana National University (ANU), em Camberra.

O colar de conchas nassarius foi encontrado numa expedição na ponta leste do país, financiada pelo Australian Research Council (ARC), uma das várias conduzidas em Timor-Leste nos últimos anos.

Para a equipa envolvida na investigação, as conchas podem ser um elemento chave nos esforços de perceber a interação humana nas ilhas do sudeste asiático e na Austrália, ajudando a identificar o uso de símbolos, identidade individual e estatuto social.

"Estamos a investigar a região porque os humanos modernos podem ter-se movimentado do sul da Ásia para a Austrália por esta zona. Estamos à procura de provas sobre o que as comunidades mais antigas faziam e como se organizavam no caminho para a Austrália", sublinhou Langley.

As conchas marítimas encontradas em Timor-Leste evidenciam uma zona onde foi deliberadamente tirada uma parte para que pudessem ser cozidas na roupa ou usadas como colar, refere.

São visíveis marcas de outros instrumentos usados para trabalhar a concha que tem ainda umas marcas vermelhas, tudo indica provenientes do tecido com que estiveram em contacto.

Recorde-se que esta mesma equipa, liderada pela arqueóloga Sue O'Connor, encontrou já os anzóis mais antigos do mundo, datados de há entre 16 mil e 23 mil anos, e ossos de peixes que demonstram que os humanos começaram a pescar mais cedo do que se pensava.

Os estudos conduzidos em Timor-Leste nos últimos 15 anos permitiram corrigir significativamente as estimativas anteriores sobre a colonização humana da ilha, com as datações arqueológicas mais antigas a serem de 42 mil anos.

Arte rupestre, alguns objetos e outros elementos orgânicos (como conchas em cavernas) são alguns dos vestígios que ajudaram a contextualizar a datação.

Já no que toca ao metal, a descoberta, antes de 1999 - mas só conhecida publicamente no ano passado - de um tampo de um tambor Dong Son do Vietname - ajudou a datar a entrada de metais em Timor-Leste, já referenciada em pinturas rupestres, especialmente na ponta leste (Tutuala) e na zona montanhosa de Baguia.

ASP // VM

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