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Governo timorense cria Parque Nacional Kay Rala Xanana Gusmão

21 de Outubro de 2015, 18:50

Díli, 21 out (Lusa) - O Governo timorense aprovou a criação do Parque Nacional Kay Rala Xanana Gusmão, em Ainaro, 120 quilómetros sul de Díli, zona onde há 25 anos o líder histórico timorense deu a sua primeira entrevista a um jornalista estrangeiro.

Rui Araújo, primeiro-ministro timorense, anunciou hoje que o parque vai ser formalmente estabelecido no sábado, numa cerimónia que marca o 25.º aniversário da entrevista do jornalista Robert Domm, que deu a conhecer Xanana Gusmão ao mundo.

"Comemoramos com este parque nacional o contributo de Xanana Gusmão como comandante em chefe das Falintil, assinalando a primeira vez que foi entrevistado por um jornalista estrangeiro, o australiano Robert Domm", disse hoje aos jornalistas.

Uma comissão mista vai agora garantir a gestão do parque, envolvendo elementos da administração municipal e antigos comandantes e veteranos da zona, centrando-se em atividades de conservação da floresta, proteção do ambiente e turismo histórico.

"Será um parque protegido, idêntico ao parque Konis Santana", disse, referindo-se ao parque criado na zona de Tutuala, na ponta leste do país.

O parque está na zona do Monte Cablaque, suco de Leolima, no município de Ainaro, a zona onde foi feita a entrevista de 1990.

Detalhes das circunstâncias em que decorreu a entrevista a Robert Domm estão publicados no livro de 1997 "Inside de East Timor Resistance", da autoria de Matthew Jardine e de Constâncio Pinto, então um dos jovens diplomatas timorenses, hoje ministro do Comércio e Industria.

O livro recorda que Domm viajou para Díli, onde entrou como turista, acompanhado de Domingos Sarmento, da organização estudantil Renetil e, depois, foi acompanhado por elementos da resistência e das Falintil ao acampamento de Xanana, a mais de uma hora a pé de Ainaro.

O acampamento, recorda o livro, foi estabelecido apenas para a entrevista e Xanana Gusmão esteve sempre acompanhado, nas zonas próximas, por cerca de 50 guerrilheiros timorenses.

A acompanhar Domm, que partiu de Timor-Leste no dia seguinte à entrevista, estiveram vários guerrilheiros da região Haksolok/Fronteira.

ASP // VM

Lusa/Fim


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