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De 'anguna' com a UDT, o partido mais antigo do país

17 de Julho de 2017, 19:03

António Sampaio (Texto) e Nuno Veiga (Fotos e Vídeo), da Agência Lusa

Díli, 17 jul (Lusa) - Em cima da 'anguna', a camioneta amarela, com uma bandeira gigante da UDT esticada ao vento, os jovens apoiantes do partido mais antigo de Timor-Leste tentam gritar vivas sem cair nas travagens bruscas que o entusiasmo da caravana provoca.

As estradas até estão boas - em Díli já há alcatrão em praticamente todo o lado - mas isso não impede que entre motas e carros, em cruzamentos, numa ou outra curva ou simplesmente por falta de jeito, a travagem seja mais inesperada.

Alheios a isso oito jovens saltam e gritam vivas. O apoio à União Democrática Timorense (UDT) está escrito, uma letra cada um, nas costas e no peito, a vermelho, branco e verde: VOTA 9 UDT, uma importante referência, num leque de 21 candidatos, ao número do partido no boletim de voto para as legislativas de sábado.

Os jovens não começaram assim. Quando subiram para cima da 'anguna', na sede do partido no bairro de Palapaso, também se alinharam, mas ao contrário: TDU 9 ATOV. Lá se corrigiu a ordem, preparou-se a bandeira, subiram mais uns jovens e partida para uma viagem de cerca de uma hora pela cidade.

Antes um aviso nas colunas do conjunto de rock e pop que está já a aquecer para o concerto do comício: "as motas têm que se portar com disciplina", diz uma mulher dirigente do partido.

Um olhar rápido para a caravana permite perceber que, comparativamente à dimensão do marketing das principais forças do país, a UDT é hoje um dos partidos 'pobres' e mais pequenos. As camisolas são poucas e muitos dos apoiantes vão de mota ou nas 'angunas' sem qualquer símbolo do partido.

Na 'anguna' as regras simples: tentar estar mais ou menos agarrado ao ferro da caixa aberta, gritar vivas, cantar, fazer ondular as bandeiras e, ao mesmo tempo, estar com atenção a fios elétricos e ramos para evitar uma chapada da natureza.

Esta é, afinal, a 'festa da democracia' e, talvez por isso as caravanas sejam sempre muito concorridas. Uma jovem que ali estava sentada, por exemplo, diz que na terça-feira vai estar no comício de encerramento do Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT).

Mas isso é amanhã. Hoje, na camioneta atrás da camioneta de som - há cerca de 20 'angunas', alguns outros veículos e muitas motas na caravana que atravessa Díli - os jovens da UDT tentam animar os transeuntes por quem passam.

O público cá fora não reage muito, mas quem vai na caravana vibra, especialmente quando os músicos tentam sacar pelos ânimos, com um acorde mais arrojado nas teclas ou quando a música é um dos 'hits' timorenses.

Outrora um dos poderes políticos em Timor-Leste, a UDT não está no Parlamento Nacional desde a primeira legislatura. No voto de 2012 obteve apenas 1,13% dos votos válidos, muito aquém dos 3% necessários na altura e, ainda mais longe dos 4% necessários este ano.

"O interesse é passar a barreira dos 4%. É muito difícil. O Governo resolveu aumentar a barreira de 3 para 4 mas estamos a trabalhar para isso", disse à Lusa o presidente do partido, Gilman dos Santos

O líder da UDT diz que andou pelo país a tentar que os apoiantes do partido regressem, para permitir um regresso ao Parlamento, com a confiança depositada "nos descendentes dos ex-udetistas".

"Temos por objetivo promover a dignidade deste povo de Timor-Leste que estão, muito deles, esquecidos e muitos ainda a viver na pobreza. A UDT com todo o esforço está a desenvolver o partido para ajudar a encontrar soluções para reduzir a pobreza ou acabar com a pobreza em Timor. Todo o povo tem que viver com dignidade", afirmou.

Por isso, diz, o partido quer voltar ao parlamento "para exigir ao Governo, ao Estado que desenvolva esta terra, para dar um impacto mais positivo, mais dinâmico para todo o povo de Timor viver com dignidade".

Antes de acabar, Gilman dos Santos fala para os timorenses no exterior - este ano podem votar na Austrália, Coreia do Sul, Portugal e Reino Unido - pedindo que "votem no sábado e votem na UDT".

ASP // ANP

Lusa/Fim


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