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Timor-Leste pode beneficiar de parcerias sub-regionais - Especialista

10 de Agosto de 2017, 16:43

Díli, 10 ago (Lusa) - Um economista birmânes defendeu hoje que Timor-Leste pode beneficiar significativamente de parcerias no sub-triângulo regional, com o Norte da Austrália e a Indonésia Oriental, mas é necessário empenho do setor público e criatividade.

Myo Thant, economista birmanês considerado o 'pai' do conceito dos triângulos sub-regionais de crescimento, insistiu que este é um modelo que se pode aplicar nesta zona e que exige empenho público e criatividade.

"Fomos ensinados a competir para avançar. E em algumas áreas compete-se. Mas há varias áreas, talvez até mais, em que se pode cooperar e onde as coisas podem avançar com benefício mútuo", disse à Lusa, em Díli, o especialista birmanês.

"Turismo, proteção de recursos naturais marítimos, mais cooperação em saúde, áreas em que os países podem trabalhar e cooperar", sublinhou o antigo economista-chefe no Banco Asiático de Desenvolvimento, tido como o 'pai' do conceito dos triângulos sub-regionais de crescimento e que trabalhou vários anos na sub-região do Grande Mekong.

Myo Thant falava à margem de um debate sobre o desenvolvimento económico sub-regional no triângulo Timor-Leste, Indonésia Oriental e Norte da Austrália, organizado pela equipa que tem promovido este espaço de cooperação em Díli.

O economista admitiu que é um processo "difícil e complicado", que "demora tempo e esforço" e que tem, necessariamente, que começar por empenho do setor público, criando condições que permitam, depois, que o investimento privado.

"O setor público tem que ter o papel de liderança no início, porque exige políticas, de mobilidade, por exemplo. Há também um grau de risco que o setor privado, por agora não assume e demoras que este tipo de processos exige", sublinhou Thant.

"Mas depois o setor privado tem dinheiro e capacidade de gestão para avançar", disse.

Basta um ou dois casos de sucesso, porque o processo é "construído peça a peça" tentando sempre encontrar "benefícios para todos", disse.

"Sejam realistas. Pensem fora da caixa. Não copiem o livro dos outros triângulos. Procurem vantagens comparativas. Seja o que elas forem. Foquem-se nelas", insistiu.

Em termos práticos, o especialista defendeu que as entidades responsáveis pelo desenvolvimento do triângulo devem fazer mais publicidade nos respetivos países sobre o que têm feito, definindo claramente metas entre reuniões a três e atualizações sobre o que vai sendo conseguido.

"Tudo demora tempo e exige capacidade, mas pode ser feito e há boas práticas de outros triângulos sobre o que se pode fazer, que podem ser copiadas. Não têm que reinventar a roda", disse.

Isso não significa copiar modelos já que, relembrou. Cada região tem as suas especificidades e há que reconhecer "os produtos de nicho", ou as mais valias de cada triângulo, como o mármore ou o café que há em Timor-Leste, destacou.

"O conhecimento local e regional é muito importante e ajuda muito. Pode facilitar formas de colaboração", disse.

João Gonçalves, responsável timorense no triângulo sub-regional, reconheceu os desafios que o processo representa, mas apontou alguns progressos, como o programa de trabalhadores timorenses na Austrália ou a mobilidade de timorenses na Indonésia.

"São processos complexos, demorados, mas já conseguimos fazer avançar algumas coisas em termos de mobilidade, retirando obstáculos, ou ajudando a criar o enquadramento legal que facilite o negócio na região", afirmou.

"Temos trabalhadores timorenses sazonais a trabalhar na Austrália, que retirou as restrições iniciais, e a Indonésia retirou a necessidade de vistos para timorenses e está a ser negociado um memorando alargado sobre transporte terrestre", disse.

ASP // EJ

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