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Xanana Gusmão critica ajuda internacional que visa apenas "produzir relatórios"

17 de Outubro de 2017, 00:02

Funchal, Madeira, 16 out (Lusa) - O presidente do g7+, Xanana Gusmão, afirmou hoje, no Funchal, que muitas vezes a ajuda internacional aos países pobres visa apenas "produzir relatórios" e lamentou que a maior parte do dinheiro se destine a pagar a própria operação.

"Por isso é que eu disse: dão 100 dólares, mas não são os 100 dólares que vão ali. Vão 25 dólares. Os [outros] 75 é para pagar aquele que leva os 25 lá. É um bocado isso", disse, no âmbito de uma conferência sobre os objetivos do g7+, na Assembleia Legislativa da Madeira.

O g7+ é um grupo composto por 20 países com estados frágeis ou afetados por conflitos internos. Foi fundado em 2010 e, para além de Timor-Leste, integra o Afeganistão, Burundi, Chade, Comores, Costa do Marfim, Guiné, Guiné-Bissau, Haiti, Iémen, Ilhas Salomão, Libéria, Papua Nova Guiné, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul e Togo.

O grande objetivo da organização é estimular a autogestão e a solução dos conflitos internos, bem como das finanças e dos recursos naturais, considerando que em muitos casos trata-se de países ricos a este nível.

"Por isso, dizemos: nada sobre nós sem nós, para percebermos que devemos criar num povo, numa sociedade, o sentido de posse, o sentido de responsabilidade", explicou Xanana Gusmão, sublinhando que a ajuda internacional não pode acontecer sem uma "consciencialização" da realidade dos países.

"Se vamos ali e fazemos as coisas assim, sem uma consciencialização do que se vai fazer, montam-se as estruturas, monta-se aquilo tudo e depois não funciona. Não funciona porque foi criado pelos estrangeiros", advertiu.

O antigo Presidente de Timor-Leste realçou ainda que muitas vezes a ajuda internacional é feita apenas para "produzir relatórios", sem atender ao resultado que a mesma provoca nas sociedades.

DYC // EL

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