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Xanana Gusmão diz que pequenos Estados podem salvaguardar interesses pela negociação

17 de Outubro de 2017, 04:18

Funchal, Madeira, 16 out (Lusa) - O antigo Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse hoje, no Funchal, que os pequenos Estados podem salvaguardar os seus interesses por via negocial dando como exemplo o acordo entre o seu país e a Austrália sobre as fronteiras marítimas.

"Eu devo afirmar, aqui, que o processo de conciliação, em si, revelou-se um sucesso, juntando, finalmente, à mesa dois vizinhos para negociar, prevendo, assim, uma via incontornável para resolver as suas disputas", declarou na Universidade da Madeira (UMa) onde recebeu o título de Doutor 'Honoris Causa'.

A Universidade da Madeira atribuiu hoje ao primeiro Presidente da República de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, o título de Doutor 'Honoris Causa' em reconhecimento pelo seu papel na resistência timorense contra a ocupação estrangeira.

A UMa é uma instituição pública portuguesa de Ensino Superior fundada a 13 de setembro de 1988, localizada na cidade do Funchal, na Região Autónoma da Madeira, que apresenta um corpo docente de 200 professores e discente superior a 3.000 estudantes.

"O bom desfecho do processo de conciliação veio demonstrar que este mecanismo é uma ferramenta credível e inovadora através da qual os países podem, conluiados pela boa fé, ajustar e acomodar os seus interesses à luz do Direito Internacional", acrescentou.

A atribuição aconteceu no dia em que a Academia madeirense assinalou a abertura do Ano Académico 2017/2018, numa sessão solene realizada no Auditório da Reitoria, no Colégio dos Jesuítas, no Funchal.

A sessão solene foi marcada por um minuto de silêncio pelas mortes causadas pelos incêndios que assolam o país.

A abertura solene das aulas incluiu as intervenções do presidente do Conselho Geral, Doutor Francisco Fernandes, do presidente da Associação Académica, engenheiro Carlos Abreu, e do reitor da UMa, Professor José Carmo.

O Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, juiz-conselheiro Ireneu Barreto, foi o padrinho do doutorando.

"Ao associar neste momento simbólico os dois arquipélagos, Timor e Madeira, tão distantes e ao mesmo tempo tão aproximados pela língua, a Universidade da Madeira dá o seu contributo histórico para a imortalização das ideias de liberdade e solidariedade em português", referiu, por seu lado, o Representante da República, numa cerimónia que reuniu as mais altas autoridades da Madeira.

O reitor da UMA, José Carmo, justificou a atribuição do título a Xanana Gusmão por representar "um lutador pela paz" e um "construtor de uma nova realidade geopolítica".

Kay Rala Xanana Gusmão, que nasceu a 20 de 1946, em Laleia, no distrito de Manatuto, foi Presidente da República, primeiro-ministro e ministro do Planeamento e Investimento Estratégico do Governo de Timor-Leste.

Atualmente é membro do G7+, uma organização intergovernamental que tem permitido aos países afetados por conflitos influenciarem de forma mais decisiva a formulação de políticas de desenvolvimento.

Entre os inúmeros prémios e distinções que acumulou ao longo da carreira incluem-se o Doutoramento 'Honoris Causa' de universidades da Austrália, Portugal, Brasil, Japão e Malásia.

EC // EL

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