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Economia timorense vai demorar "quatro a cincos anos" para recuperar -- Banco Mundial

21 de Maio de 2019, 17:43

Díli, 21 mai 2019 (Lusa) -- A economia timorense vai demorar "quatro a cinco anos" para recuperar da contração que a crise política provocou no país nos últimos dois anos e retomar os níveis de 2016, segundo um economista do Banco Mundial.

Pedro Martins, que falava na apresentação em Díli do relatório semestral da instituição, disse que o PIB per capital do país "caiu 8% entre 2016 e 2018" pelo que, apesar do crescimento previsto para este ano e para os próximos, a economia vai demorar a recuperar.

"Os dados mostram como, devido ao impacto da incerteza política, vai demorar quatro ou cinco anos para recuperar até aos níveis de 2016", disse o economista chefe do Banco Mundial em Díli.

Os dados hoje divulgados indicam que a economia timorense deverá crescer 3,9% do PIB este ano, impulsionada por um aumento dos gastos públicos, após dois anos consecutivos de contração causados pela incerteza política no país.

O relatório económico semestral do Banco Mundial prevê que contração dos últimos dois anos, que chegou aos 3,8% em 2017 e aos 07% no ano passado, deverá ser revertida este ano e nos próximos -- a previsão é de um aumento de 4,9% do PIB em 2021 -- impulsionada por mais gastos públicos e maior consumo privado.

Intervindo na apresentação de hoje, Helder Lopes, conselheiro especial da ministra interina das Finanças, mostrou-se mais otimista com os dados, referido que o executivo antecipa um crescimento "ligeiramente maior" este ano, acima dos 4%, ainda que longe da média de 7% a que o Governo aspirava

No encontro de apresentação, Pedro Martins detalhou hoje vários aspetos do atual contexto macroeconómico timorense, especialmente depois do impacto da crise política que começou em 2017 e se prolongou quase até ao final de 2018 -- com eleições antecipadas e um longo período em regime de duodécimos.

Os dados mostram o impacto da estagnação ou contração em vários dos principais indicadores da atividade económica, desde consumo elétrico, a crédito privado, impostos e até novos registos de automóveis.

Crucial na economia foi a redução dos gastos públicos, principal motor económico, que só se retomaram na reta final de 2018 ainda que, desconhecendo-se o impacto desse crescimento na economia real.

As receitas domésticas não-petrolíferas, por exemplo, caíram como percentagem do PIB nos últimos dois anos, continuando a não ser suficientes para pagar sequer os custos recorrentes do Estado, apesar de terem caído de 63% do PIB em 2014 para 52% do PIB em 2018.

Os dados mostram igualmente o impacto que a crise teve na vida dos cidadãos timorenses, especialmente devido ao aumento de preços dos produtos alimentares em 2018, que contribuíram para grande parte da inflação (que rondou os 2,3%).

A alimentação representa, em média, 50% do cabaz de compras, "pelo que qualquer impacto nos preços tem grande impacto na economia da população", evidenciando a necessidade de "melhorar a produção agrícola, para proteger as famílias das volatilidades no mercado alimentar".

 

ASP // PJA

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