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Cabo Verde negoceia isenção de vistos com Guiné Equatorial mas acredita em acordo na CPLP

19 de Julho de 2019, 07:12

Mindelo, Cabo Verde, 18 jul 2019 (Lusa) - O Governo de Cabo Verde fechou um acordo bilateral para isenção de vistos com São Tomé e Príncipe e negoceia outro com a Guiné Equatorial, mas o objetivo ainda é ter um acordo de mobilidade dentro da CPLP.

A posição foi transmitida hoje em entrevista à agência Lusa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, na antecipação da XXIV reunião ordinária do conselho de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza na sexta-feira na cidade cabo-verdiana do Mindelo, ilha de São Vicente.

Na quarta-feira, no Mindelo, os chefes da diplomacia de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe assinaram dois acordos. O primeiro isenta, reciprocamente, de vistos de entrada, os cidadãos de ambos os países, enquanto o segundo garante o reconhecimento mútuo de cartas de condução.

Uma "reivindicação antiga" dos dois povos, explicou hoje à Lusa o ministro Luís Filipe Tavares, sobre o acordo relativo às cartas de condução.

Sobre a isenção de vistos, o governante destacou também que se trata de "um passo" para o que Cabo Verde entende ser "a mobilidade no quadro da CPLP".

"Obviamente com as restrições, limitações que os países têm por causa da sua pertença a organismos internacionais", sublinhou, garantindo que, "ainda este ano", Cabo Verde deverá ter um acordo semelhante, de isenção de vistos em passaportes, com a Guiné Equatorial, que está "em fase de negociação".

Esse acordo juntar-se-á aos já assumidos por Cabo Verde com Timor-Leste, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e agora São Tomé e Príncipe.

"E estamos a trabalhar para ter acordos idênticos com o Brasil", acrescentou.

Para o ministro Luís Filipe Tavares, na questão da mobilidade e livre circulação dentro dos nove Estados-membros da CPLP, tema principal da reunião do conselho de ministros de sexta-feira, Cabo Verde, que tem atualmente a presidência rotativa da organização lusófona, tem sido "um farol".

"É uma grande ambição dos povos", justificou o chefe da diplomacia de Cabo Verde.

"Há praticamente seis meses que estamos a trabalhar de forma muito vincada neste objetivo estratégico. Amanhã [sexta-feira] vai ser uma nova etapa. Esperemos que haja vontade política para prosseguirmos e termos, num tempo que eu diria razoável, um acordo de mobilidade ao nível dos nove Estados-membros da CPLP", enfatizou Luís Filipe Tavares.

Ainda sobre a reunião de sexta-feira, o ministro encara-a com "esperança": "(...) Se fosse só por vontade própria de Cabo Verde [a mobilidade] já seria uma realidade", declarou.

Para o chefe da diplomacia cabo-verdiana, os "políticos têm agora uma grande responsabilidade" neste processo.

"Nós somos confrontados pelas nossas populações, pelos nossos povos, de terem mais mobilidade no seio dos nove Estados-membros. Cabo Verde tem vontade política, Cabo Verde quer trabalhar com todos, nós queremos um acordo a nove, mas fizemos uma proposta de geometria variável, queremos um acordo de princípio e depois os países, entre si, poderão ajustar a forma de mobilidade que entenderem estabelecer entre eles", disse.

"Vamos continuar a trabalhar para termos um bom acordo", acrescentou Luís Filipe Tavares.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

PVJ/RIPE // SR

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