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China apela a Washington para que melhore relação com o país

21 de Agosto de 2019, 20:44

Pequim, 21 ago 2019 (Lusa) - A China apelou hoje a Washington para que se "dê bem com" Pequim, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que "alguém tinha que enfrentar a China" devido a alegadas práticas comerciais injustas.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, considerou que o comércio tem sido "benéfico para os dois países" e expressou esperança de que Washington possa encontrar um meio termo num acordo com a China, que ponha fim às disputas comerciais.

Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, concordaram em junho retomar as negociações, visando um acordo que termine com disputas sobre políticas para o comércio e tecnologia, mas nenhum dos dois indicou estar disposto a ceder.

Questionado na terça-feira sobre o impacto da guerra comercial na economia dos Estados Unidos, Trump afirmou que "alguém tinha que fazer frente à China".

Geng respondeu hoje: "Desejamos que os Estados Unidos se possam dar bem connosco, para expandir a cooperação e promover as relações sino-americanas".

Os governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um, numa guerra comercial que ameaça a economia mundial.

A China retaliou ainda ao suspender a compra de produtos agrícolas norte-americanos.

Este mês, Trump anunciou que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir de 01 de setembro. Entretanto, voltou atrás e disse que as taxas serão só aplicáveis sobre cerca de metade daquele valor, visando proteger os consumidores norte-americanos, por altura do natal.

Na terça-feira, Trump reconheceu que as políticas comerciais agressivas contra a China, que têm abalado os mercados e a confiança dos consumidores, podem danificar a economia também dos Estados Unidos, mas insistiu que se trata de um mal necessário.

"Estava na altura, seja bom ou mau para o nosso país a curto prazo", disse.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

"A minha vida seria muito mais fácil se eu não enfrentasse a China", disse Trump. "Mas eu gosto de fazê-lo porque tem que ser feito", defendeu.

JPI // ANP

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