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China ameaça punir empresas norte-americanas que venderam caças F-16 a Taiwan

21 de Agosto de 2019, 21:25

Pequim, 21 ago 2019 (Lusa) - A China criticou hoje a venda de 66 caças F-16 a Taiwan pelos Estados Unidos e prometeu punir com sanções as empresas norte-americanas envolvidas no contrato.

Os Estados Unidos confirmaram, na terça-feira, a venda dos F-16 a Taipé, por cerca de oito mil milhões de dólares, um mês após uma outra venda de armas a Taiwan, no valor de 2,2 mil milhões de dólares, e também criticada por Pequim.

Os contratos surgem numa altura de crescentes tensões nas relações entre Pequim e Washington, devido a uma guerra comercial que espoletou há mais de um ano.

"A China vai tomar todas as medidas necessárias para proteger os seus interesses, inclusive através de sanções contra as empresas norte-americanas envolvidas nesta venda de armas", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang.

Geng considerou a venda dos F-16 "uma grave interferência nos assuntos internos [da China]", suscetível de "prejudicar os nossos interesses de soberania e segurança".

Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China, e funciona como uma entidade política soberana.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa, e defende a "reunificação pacífica", mas ameaça "usar a força" caso a ilha declare independência.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou na terça-feira que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou a venda.

A venda dos F-16 está "de acordo com os arranjos e relações históricas entre os Estados Unidos e a China", disse Pompeo.

"As nossas ações estão alinhadas com as políticas anteriores dos EUA e estamos a honrar os compromissos que assumimos com todas as partes", argumentou.

A China disse que emitiu um protesto diplomático contra a venda e pediu aos Estados Unidos que "abandonem imediatamente a venda de armas" e "cortem os contactos militares com Taiwan".

O desejo de Taiwan de melhorar a sua capacidade de defesa aérea deve-se sobretudo a incursões cada vez mais frequentes de aviões chineses no seu espaço aéreo.

"Os F-16 aumentarão significativamente as nossas capacidades de defesa aérea", disse uma porta-voz da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.

Taiwan possui uma frota de F-16s, comprada em 1992. O contrato anual abrange aviões mais modernos e com tecnologia nova.

Taiwan receberá 66 aviões, mas também 75 reatores, radares e várias peças de reposição que permitirão à aviação da ilha manter a sua frota aérea em boas condições.

JPI // ANP

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