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Funcionário consular britânico detido na China por "solicitar prostitutas" -- imprensa oficial

23 de Agosto de 2019, 13:36

Pequim, 23 ago 2019 (Lusa) - O funcionário do consulado britânico em Hong Kong, que desapareceu na China continental no início de agosto, foi detido por "solicitar prostitutas", avançou hoje a imprensa estatal chinesa, uma acusação rejeitada pela família do jovem.

Segundo o jornal do Partido Comunista Chinês Global Times, que cita a polícia de Shenzhen, Simon Cheng, de 28 anos, esteve com prostitutas na cidade fronteiriça, antes de ser detido, em 08 de agosto.

A família de Cheng considerou, entretanto, que aquelas notícias, difundidas pela versão em inglês do Global Times, são "fabricadas".

"Toda a gente deve perceber que se trata de uma piada", apontou, em comunicado.

O jornal escreveu que a polícia não contactou a família de Simon Cheng a pedido do próprio. "Devido ao ministério dos Negócios Estrangeiro britânico e à imprensa, que montou este caso, agora é do conhecimento de todos", aponta.

A diplomacia chinesa confirmou esta semana que o homem está detido em Shenzhen por ter violado uma lei chinesa de segurança pública.

Caso não seja formalizada uma acusação criminal, Cheng deve ser libertado hoje, já que se completam 15 dias desde que foi detido - o período máximo de detenção administrativa, segundo a lei chinesa.

Segundo o Global Times, Simon Cheng tem ainda de pagar uma multa de 5.000 yuan (640 euros).

A família disse que Cheng foi a Shenzhen em 08 de agosto para uma reunião de negócios, mas que passou a estar incontactável quando atravessava a fronteira para Hong Kong.

O Reino Unido e a China têm trocado algumas acusações, à margem dos quase três meses de protestos na antiga colónia britânica.

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A China criticou já o secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Dominic Raab, no início do mês, após este ter falado com a líder de Hong Kong, Carrie Lam, sobre os protestos, e pedido uma "investigação totalmente independente" à atuação da polícia, para "reconstruir a confiança".

"É simplesmente errado que o Governo britânico fale diretamente com a chefe do Executivo de Hong Kong para exercer pressão", afirmou então um porta-voz da diplomacia chinesa.

Londres disse, na quinta-feira, que procurava com "urgência" informações sobre o funcionário consular.

No início do ano, a China deteve um empresário e um antigo diplomata canadianos, após a diretora financeira do grupo chinês das telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.

Ambos os cidadãos canadianos permanecem detidos por "prejudicarem a segurança nacional".

JPI // JMC

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