Página gerada às 22:38h, domingo 17 de Novembro

Macau proíbe entrada de residente de Hong Kong com ligações ao campo pró-democracia

11 de Outubro de 2019, 20:04

Macau, China, 11 out 2019 (Lusa) -- Uma ex-colaboradora da irmã do magnata do jogo Stanley Ho, com ligações ao campo pró-democracia de Hong Kong, foi impedida na quinta-feira de entrar em Macau, uma decisão que o advogado classificou hoje de discricionária.

"É uma medida muito discricionária. Nunca vamos saber qual a razão verdadeira, nem conseguimos obrigar a administração a revelar", afirmou à Lusa José Abecasis, que acrescentou existir a possibilidade de "reagir contra" a decisão.

A notícia foi avançada pela Rádio Macau, depois de Donna Yau ter publicado na rede social Facebook uma imagem da notificação de recusa de entrada em Macau, após três horas retida no terminal marítimo. "Porquê eu", questionou no breve texto que acompanha a fotografia do documento oficial.

De acordo com a nota, foi-lhe negada a entrada "por existirem fortes referências em como pretendia entrar na RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] para a prática de atos que pela sua natureza podiam pôr em risco a segurança ou ordem públicas".

"Não deram razão nenhuma", afirmou José Abecasis sobre a decisão das autoridades de Macau.

"Há de estar numa lista qualquer", disse o advogado, admitindo que "pode ter a ver com ligações a Albert Ho", antigo presidente do Partido Democrático de Hong Kong, já que Donna Yau "não é política e não é conhecida como uma ativista" na RAEM.

No final do mês passado, Albert Ho foi impedido de entrar em Macau, pelas mesmas razões apresentadas à empresária, uma decisão que o ex-deputado assumiu, à data, ser "obviamente política".

Donna Yau era a representante legal da falecida empresária Winnie Ho, irmã do magnata do jogo Stanley Ho, mas continua a administrar algumas empresas de Winnie, que morreu no ano passado.

De acordo com a Macau News Agency, Donna Yau já prestou assistência jurídica a alguns ativistas pró-democracia em Hong Kong e apoiou, em 2015, uma petição assinada por membros da Ordem dos Advogados e da comissão eleitoral do chefe do executivo do território vizinho contra a repressão exercida pela China sobre advogados e ativistas dos direitos humanos.

Na sequência da recusa de entrada a Albert Ho, o secretário para a Segurança de Macau, Wong Sio Chak, negou a existência de uma 'lista negra', mas salientou que "as autoridades têm a responsabilidade de salvaguardar a segurança, a estabilidade e paz do território, sendo esses pressupostos do desenvolvimento e prosperidade local".

E reiterou que os casos de recusa de entrada no território são "uma decisão das autoridades policiais, baseada em critérios objetivos e em análise de factos", de acordo com um comunicado publicado em 29 de setembro.

Hong Kong vive há quatro meses a pior crise política desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China, em 01 de julho de 1997, com manifestações quase diárias para denunciar a alegada erosão das liberdades, a crescente influência do Governo chinês nos assuntos da região semiautónoma e para exigir reformas democráticas.

A transferência da soberania da antiga colónia do Reino Unido para a China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".

Tal como acontece com Macau, para Hong Kong foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

FST // PJA

Lusa/Fim


Comentários

Critério de publicação de comentários