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FMI vê economia timorense a estabilizar, mas quer diversificação

21 de Outubro de 2019, 23:55

Díli, 21 out 2019 (Lusa) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje, numa nota enviada à agência Lusa, que a economia de Timor-Leste está a estabilizar, mas o país tem de aumentar a capacidade institucional, diversificar a economia e tirar proveito do dividendo demográfico.

A economia de Timor-Leste vai estabilizar com a retoma da despesa do Estado, sendo que esta constitui o motor mais importante do crescimento económico timorense, explicou à Lusa o chefe da missão do FMI em Timor-Leste, Niklas Johan Westelius.

O FMI prevê que a economia timorense cresça 5% no próximo ano, depois de um crescimento de 4,5% em 2019 e de contrações económicas nos dois anos anteriores, segundo as mais recentes previsões do relatório 'World Economic Outlook', lançado na semana passada.

"O Governo precisa de assegurar sustentabilidade fiscal, reforçar a capacidade institucional, capitalizar o dividendo demográfico, promover o investimento do setor privado, realçar a inclusividade financeira e aumentar a mediação financeira", lê-se na mensagem.

O dividendo demográfico refere-se ao elevado número de adultos em idade ativa, que constituem a força de trabalho mais importante de uma economia.

A tendência de diminuição da produção do petróleo, que teve grande impacto no país, deverá terminar até 2022, mas o Estado deve empenhar-se em reforçar o setor não petrolífero para cumprir as perspetivas de crescimento de 5% que o FMI aponta.

"O impasse político de 2017 e 2018 resultou num declínio agudo do setor não petrolífero. No entanto, a economia deve estabilizar, agora que o processo orçamental está no caminho certo e a despesa pública ganha força", escreveu o responsável o chefe da missão do FMI em Timor-Leste.

O 'World Economic Outlook' mostra uma previsão mais conservadora sobre a economia do que o Governo, que na sua proposta do Orçamento Geral do Estado prevê um crescimento de 7,2% em 2020 e um aumento de 5,1% este ano.

O chefe da missão do FMI considera que o Governo timorense avançou com projeções um pouco mais otimistas devido à inclusão de efeitos de 'feedback' positivos do desenvolvimento do campo Greater Sunrise e investimentos de capital associado.

"Por contraste, nós caracterizamos o projeto Greater Sunrise como uma oportunidade positiva, mas não o incluímos na linha de base [da avaliação económica]", explicou Niklas Johan Westelius.

Para o FMI, Timor-Leste tem apresentado um progresso "impressionante" desde a independência em 2002, com bases para a estabilização política, melhoria da qualidade de vida e a "implementação de uma estrutura institucional forte para gerir a riqueza petrolífera".

"Seguindo em frente, será crucial que Timor-Leste continue os esforços para diversificar a economia e alcançar um crescimento alto, sustentável e inclusivo do setor privado", considera a instituição monetária.

EYL // LFS

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