Página gerada às 12:33h, terça-feira 10 de Dezembro

CPLP também tem relevância para o Brasil pelas preocupações do país com segurança do Atlântico Sul

19 de Novembro de 2019, 21:56

Lisboa, 19 nov 2019 (Lusa) - O embaixador do Brasil junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse hoje que uma das preocupações atuais do seu país é a segurança do Atlântico Sul, um aspeto em que ser Estado-membro daquela organização pode ajudar.

"Antes, o Brasil tinha fome de petróleo, hoje está exportando petróleo. Porquê? Por causa do mar. E hoje uma das preocupações do Brasil é com a segurança do Atlântico Sul", por isso também é importante o envolvimento do país na CPLP, afirmou à Lusa o diplomata Pedro Fernando Brêtas Bastos, o representante brasileiro permanente junto da organização dos estados de língua portuguesa.

"Claro, isso é muito importante, o Atlântico Sul, a CPLP", respondeu quando questionado se essa preocupação do Brasil também tinha vindo reforçar a importância do seu envolvimento como Estado-membro da comunidade lusófona.

Além do Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial são os Estados-membros da CPLP localizados no Atlântico Sul.

"Cabo Verde não está no Atlântico Sul, mas é como se fosse um porta-aviões natural no Atlântico", destacou o embaixador Brêtas Bastos, numa conversa com a Lusa em Lisboa.

O diplomata brasileiro classificou como "excelentes" as relações do seu país com alguns dos Estados-membros da comunidade dos países de língua portuguesa.

"As relações Brasil-Angola são excelentes, as relações Brasil-Moçambique são excelentes, as relações Brasil-Cabo Verde são também excelentes. O Brasil não tem problemas com os países da CPLP. As nossas relações são fraternais", afirmou.

Brêtas Bastos, que apresentou as suas credenciais ao secretário -xecutivo da CPLP como embaixador do Brasil junto daquela organização em finais de agosto último, diz que visitou todos os embaixadores dos países-membros da organização quando assumiu as atuais funções e sentiu "da parte de todos a maior recetividade".

Quanto a Portugal, considera que "está de parabéns" por ter um secretário-executivo - o embaixador Francisco Ribeiro Telles - à frente da CPLP "da maior categoria", que "sabe exatamente tudo o que é importante da CPLP".

Já quando questionado sobre a possibilidade de haver um acordo em breve sobre mobilidade entre os membros da CPLP, uma prioridade estabelecida por Cabo Verde, que atualmente exerce a presidência rotativa da organização, o diplomata respondeu: "Tudo é possível, tudo vale a pena se a alma não é pequena", afirmou, sublinhando que "o Brasil está empenhado em tudo o que puder ser favorável à aproximação dos povos de língua portuguesa".

Sobre outras questões relativas à posição do Brasil face à CPLP, Brêtas Bastos remeteu para as declarações feitas pelo ministro das Relações Exteriores do seu país sobre o tema, no último conselho de ministros de Negócios Estrangeiros daquela organização, que decorreu em julho, na cidade do Mindelo, em Cabo Verde.

"A CPLP é uma prioridade total para o Brasil. É uma das coisas mais especiais que nós temos porque é um fórum que ninguém tem. É um fórum que reúne países de quatro continentes em torno de uma herança cultural comum, que é algo muito profundo para nós", afirmou na altura, em entrevista à Lusa, o ministro Ernesto Araújo.

No que diz respeito à possível entrada dos Estados Unidos da América como observador associado, processo já tratado em comité de concertação permanente da CPLP, e que contou com a "não objeção" dos nove países que compõem a organização, o embaixador Brêtas Bastos afirmou o apoio claro do Brasil a esta pretensão norte-americana.

E apontou como uma das vantagens da entrada daquele país para a lista dos observadores associados "a maior divulgação da língua portuguesa", considerando isso "importantíssimo".

Já quando questionado se a aproximação dos EUA à CPLP poderia ter a ver mais com a questão cultural e da língua do que com questões económicas, respondeu: "Isso o tempo dirá".

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

ATR/(PVJ/RIPE) // JH

Lusa/Fim


Comentários

Critério de publicação de comentários