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Fitch atribui 'rating' de B a futura emissão de dívida soberana de Angola

19 de Novembro de 2019, 22:33

Hong Kong, 19 nov 2019 (Lusa) - A agência de notação financeira Fitch atribuiu hoje um 'rating' provisório de 'B' à emissão de dívida soberana de Angola, de até 3 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros), que deverá ser lançada nas próximas semanas.

"A Fitch Ratings atribui à futura emissão de títulos em dólares o 'rating' previsível de B", lê-se numa informação enviada aos investidores, que dá conta que a nota final "está dependente da receção dos documentos finais e da sua conformidade com a informação já recebida".

Na nota, a que a Lusa teve acesso, a Fitch explica que "este previsível 'rating' está em linha" com a nota B atribuída ao país, que tem uma perspetiva de evolução negativa, e que pode variar se a avaliação sobre a qualidade do crédito mudar entretanto.

A classificação de B é geralmente atribuída a um emissor que apesar de ter capacidade financeira para honrar os compromissos assumidos, tem vulnerabilidades que colocam a emissão ao nível da classificação de 'especulativa' ou 'junk' (lixo), como é geralmente referido.

Em julho, a Fitch manteve o 'rating' de Angola em B e reviu a perspetiva de evolução da economia de estável para negativa, o que deixa antever uma degradação desta nota num prazo de 12 a 18 meses.

O Governo de Angola prepara-se para angariar até 3 mil milhões de dólares nos mercados internacionais ainda este ano, ou no princípio de 2020, tendo já reunido com investidores em Nova Iorque na semana passada.

Numa nota enviada na segunda-feira aos clientes, o gabinete de estudos do Banco Fomento Angola diz que a equipa do Ministério das Finanças reuniu-se com vários investidores na semana passada em Nova Iorque, numa operação que será apoiada pelo Deutsche Bank, ICBC e Standard Chartered.

A autorização presidencial para esta emissão foi publicada a 07 de novembro, e nela pode ler-se que "é autorizada a ministra das Finanças, no âmbito do programa global de médio prazo para a emissão de títulos de dívida soberana, a emitir títulos de dívida soberana nos mercados internacionais sob a forma de Eurobonds, até ao montante de 3 mil milhões de dólares ou o equivalente em outros moedas, em uma ou mais séries".

A assunção de mais estes encargos deverá elevar o rácio da dívida pública em mais de três pontos percentuais face ao produto interno bruto (PIB) de Angola, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que valha cerca de 90 mil milhões de dólares.

Ainda segundo os dados do FMI, divulgados em outubro, este rácio deverá ficar, no final deste ano, nos 95% do PIB.

Já hoje, a ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, disse que no princípio do próximo ano o rácio de dívida pública face ao PIB deverá passar os 100% e o rácio da dívida face às receitas deverá aumentar para 114%.

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