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PD timorense decide integrar nova coligação de Governo liderada por Xanana Gusmão

20 de Fevereiro de 2020, 19:59

Díli, 20 fev 2020 (Lusa) - O Partido Democrático (PD) timorense decidiu hoje integrar uma nova coligação de Governo liderada pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, disse à Lusa um alto responsável do partido.

A fonte confirmou que essa foi a decisão saída de uma conferência nacional que decorre hoje na sede do partido em Díli.

Os contactos políticos entre os diferentes partidos visam formar uma nova coligação de Governo para tentar resolver a crise política que tem paralisado o país e evitar a realização de eleições legislativas antecipadas.

Em conferência de imprensa depois da reunião, Mariano Sabino e António da Conceição, respetivamente presidente e secretário-geral do PD, explicaram que a decisão tomada hoje -- que formalmente não anunciaram aos jornalistas - vai ser agora expressa numa carta a enviar a quem apresentou propostas.

Sabino explicou que o objetivo é "salvar a nação", depois de anos de tensão política e recordou que o PD continua a preferir uma opção que garanta "maior inclusão" ou a "salvação" do país.

"Temos uma decisão tomada hoje, mas a direção nacional vai sumarizar a decisão que vai ser enviada numa carta" à coligação escolhida, disse Conceição.

"Mas vamos também enviar uma segunda carta para dizer o porquê de não pretendermos com o outro aliado. Não se trata apenas de fazer uma escolha, mas de salvar a nação", disse.

Em cima da mesa está uma eventual coligação liderada pelo CNRT com o Partido Democrático (PD), o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) -- que vai debater o assunto "nos próximos dias" - e os três deputados dos partidos mais pequenos no parlamento, Partido Unidade e Desenvolvimento Democrático (um deputado), Frente Mudança (um) e União Democrática Timorense (um).

A segunda opção está a ser liderada pelo Partido Libertação Popular (PLP), do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e segunda força da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), coligação do atual Governo.

Questionado sobre a possibilidade da nova coligação não ser aceite pelo Presidente da República, especialmente se o CNRT mantiver a lista de governantes propostos e que tem sido recusada pelo chefe de Estado, Conceição disse que as condições mudaram.

"Estamos a falar de uma nova coligação e do IX Governo. As condições que foram aplicadas ao oitavo Governo não podem ser o impedimento para a formação do nosso Governo",

"E é nessa base que continuamos a tomar decisões. A decisão dos membros é da competência do futuro primeiro-ministro que seja indigitado", referiu, mostrando-se otimista acerca dos encontros do chefe de Estado com Xanana Gusmão.

Sabino disse que é importante ultrapassar um impasse que se arrasta em Timor-Leste desde 2017, com "grandes implicações para a sociedade, a economia e para as relações políticas.

"É preciso normalizar a economia, a comunicação política e a coesão social", disse.

Manifestando respeito por todos os partidos políticos e pelos líderes históricos nacionais, Sabino insistiu que o PD sempre preferiu uma "solução de grande inclusão" com diálogo alargado.

Essa posição continuará a ser defendida no diálogo mais formal para a concretização da nova coligação que terá, depois, que ser apresentada ao Presidente da República.

Altos responsáveis do partido confirmaram à Lusa haver várias opiniões sobre que caminho seguir ainda que a ampla maioria dos líderes regionais tenham apoiado a participação na coligação com o CNRT.

Alguns dirigentes do partido argumentaram, por exemplo, que a dignidade do partido não foi respeitada, especialmente pelo CNRT, aquando da 'expulsão' do PD do V Governo, então liderado pelo CNRT.

Questionado hoje sobre essa questão, Sabino recordou palavras do falecido fundador do partido, Lasama de Araújo: "a dignidade da nação está acima da dignidade pessoal e o interesse nacional está acima do interesse do partido".

"O PD tem que continuar firme e está pronto a servir", disse.

 

ASP // VM

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