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Ex-Presidente timorense confiante que Xanana Gusmão assuma liderança do novo Governo

22 de Fevereiro de 2020, 12:22

Díli, 22 fev 2020 (Lusa) -- O ex-Presidente timorense José Ramos-Horta mostrou-se confiante que Xanana Gusmão assuma o cargo de primeiro-ministro do novo Governo, apelando ao chefe de Estado para aceitar a aliança parlamentar hoje anunciada.

"Eu insisti desde a primeira hora que seja ele primeiro-ministro. É a figura de peso. E já no passado vimos que quando cede liderança a alguém sem a autoridade dele e sem o domínio dos dossiers pode resultar sempre em fragilidades, o que é natural", afirmou à Lusa José Ramos-Horta.

"Hoje, os outros parceiros da coligação também insistiram nisso. E como Xanana não disse que não, presumo que tem consciência, que está ciente de que é ele que deve dirigir o Governo nos próximos três anos", disse

Ramos-Horta disse ainda esperar que seja possível encontrar uma solução para o caso dos nomes indigitados para o Governo pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), liderado po Xanana Gusmão, e que o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, recusou empossar.

"Xanana disse que vai falar com o Presidente pela positiva. Vai tentar tudo e encontrar um acordo com o Presidente", afirmou.

O líder do CNRT "não se mostrou nada confrontacional. Está com uma postura muito positiva. No limite a decisão está com o Presidente da República que deve também caminhar ao encontro das propostas do novo Governo", acrescentou.

José Ramos-Horta adiantou que a nova aliança parlamentar deve ser apresentada a Lu-Olo, "até ao final da próxima semana".

O responsável falava à Lusa na sequência do anúncio do líder CNRTda formação de uma nova maioria parlamentar para apoiar a formação de um novo Governo em Timor-Leste.

"Para ultrapassar o impasse, os partidos falaram. Estamos prontos para avançar com uma nova maioria. Temos 34 cadeiras no parlamento e nova maioria", declarou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa.

Além de contar com o apoio dos 21 deputados do CNRT, maior partido da atual coligação do Governo, a nova aliança inclui ainda os cinco deputados do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) e os cinco do Partido Democrático (PD).

Fazem ainda parte da nova coligação, os três deputados dos partidos mais pequenos no parlamento, Partido Unidade e Desenvolvimento Democrático (um deputado), Frente Mudança (um) e União Democrática Timorense (um).

A nova coligação integra 34 dos 65 lugares do parlamento timorense.

Ramos-Horta disse que sempre acreditou que esta seria a melhor coligação para ultrapassar a crise que vive Timor-Leste, especialmente depois das declarações da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) -- maior partido no parlamento -- de que se queria concentrar nas eleições de 2023.

"Embora tenha havido alguma movimentação da Fretilin (...) esta coligação hoje anunciada já estava segura há vários dias", explicou Ramos-Horta que participou hoje no primeiro encontro alargado da liderança da nova aliança.

O ex-Presidente, que mediou a formação da coligação, disse que Xanana Gusmão insistiu na necessidade de os membros da coligação "não representarem os respetivos partidos, mas sim o Governo" e atuarem sempre para "servir e representar o país".

"Reforçou muito o papel de unidade do Governo. E focou três elementos: humildade, servir com determinação e energia e procurar melhorar cada dia, cada semana, o que estão a fazer", referiu.

Dirigentes partidários que participaram no encontro disseram à Lusa que Xanana Gusmão agradeceu a intervenção de Ramos-Horta para conseguir concretizar esta coligação.

 

ASP // EJ

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