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Projeto de ensino do português em Timor-Leste será avaliado este ano

28 de Fevereiro de 2020, 19:54

Díli, 28 fev 2020 (Lusa) -- Portugal e Timor-Leste querem que o atual projeto luso-timorense de ensino de português nas escolas timorenses seja alvo este ano de uma avaliação externa que corrija problemas e permita garantir a sua sustentabilidade, segundo fontes oficiais.

A mensagem foi deixada hoje pelo embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, e numa mensagem da ministra da Educação timorense, Dulces Soares, na cerimónia de boas vindas a 105 professores portugueses que vão lecionar no país.

O grupo de professores, de um total de 140, chegou hoje a Díli, seguindo nos próximos dias para os 12 municípios e para a Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), onde começam a lecionar na segunda-feira.

Os professores portugueses -- todos eles de regresso a Timor-Leste - estão integrados no projeto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), iniciativa que conta com o apoio dos Governos de Timor-Leste e de Portugal.

José Pedro Machado Vieira recordou que a avaliação está prevista na adenda ao acordo de cooperação que gera o projeto, que foi assinada em janeiro, permitindo dar "continuidade à parceria sólida e funcional" que ocorre desde 2010.

"Vocês são os portugueses mais desejados de Timor-Leste", disse o embaixador aos professores, referindo ao "impacto notório do projeto CAFE" em todo o país e que é o maior projeto de Portugal em Timor-Leste.

"É necessário olhar para o futuro e manter em vista a sustentabilidade das ações. A avaliação internacional externa prevista para este ano permitirá recolher dados essenciais para garantir que melhores estratégias são aplicadas no caminho de expansão e apropriação total do projeto por Timor-Leste", referiu.

Palavras ecoadas numa mensagem da ministra da Educação, Juventude e Desporto, Dulce Soares, lida pelo diretor geral do Ensino Secundário, Luís Fernandes.

"Portugal e Timor-Leste comprometem-se a realizar uma avaliação externa para identificar pontos fortes e fraquezas. Também esperamos poder ver de que forma podemos tornar o projeto mais sustentável", disse.

Não se trata de avaliar os professores, mas de ver como "melhorar ainda mais um projeto que já é de qualidade para que tenha ainda mais resultados e mais escolas, explicou.

Dulce Soares deixou ainda um apelo aos docentes para que considerem com cuidado eventuais decisões de rescisão de contrato, especialmente a meio do ano letivo, deixando alunos sem acompanhamento e professores timorenses sem o par pedagógico.

"Deixo o apelo para que quando pensarem em rescindir o contrato a meio do ano letivo, ponderem e pensem em todas as consequências dessa rescisão, pensem particularmente nas crianças e jovens que ficarão sem acompanhamento escolar e letivo", afirmou.

A governante referiu que a percentagem de professores que não renovaram contrato foi "apenas de 25%, inferior à do ano anterior", um sinal de que "se sentem bem em Timor-Leste" e que querem "continuar a contribuir para melhorar a qualidade da educação" no país.

Na mensagem, Dulce Soares notou ainda o facto de os professores estarem "realmente integrados nas comunidades" onde lecionam, permitindo que a ação do programa vá além do ensino em sala de aula, ajudando a que "a difusão da língua portuguesa seja efetivamente possível com o contacto direto com a comunidade".

No início de março são esperados os restantes 35 professores que se estreiam no projeto em Timor-Leste.

Os professores portugueses juntam-se a 152 professores timorenses inseridos no projeto e que estão a trabalhar desde o arranque do ano letivo, em 13 de janeiro.

O projeto CAFE é cofinanciado por Portugal e Timor-Leste, com divisão das despesas inerentes à colocação dos docentes.

Inicialmente conhecidos como Escolas de Referência, os CAFE foram abertos progressivamente nos 12 municípios e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), sendo inicialmente regidos por um protocolo assinado pelos dois Governos em 2011.

A partir de 2015, um novo acordo levou a outras alterações, incluindo a transformação das Escolas de Referência nos atuais CAFE, que contam este ano com cerca de 8.800 alunos.

A adenda ao protocolo que permite a continuidade do projeto foi assinada em janeiro pelo embaixador de Portugal e pela ministra da Educação timorense.

 

ASP // VM

Lusa/Fim

 


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