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Bancadas parlamentares timorenses querem investigar alegadas pressões a líder político

27 de Abril de 2020, 11:01

Díli, 27 abr 2020 (Lusa) -- A bancada da Fretilin, maior partido no parlamento timorense, pediu hoje uma investigação sobre alegadas pressões e ameaças feitas sobre o líder de outro partido, o KHUNTO, José Naimori, feitas por dirigentes de outras forças políticas.

Francisco Branco deputado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), manifestou "repúdio total" pelo que diz terem sido "atos contra os princípios democráticos, o estado de direito e a liberdade" sobre Naimori, líder do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).

Francisco Branco falava numa intervenção no arranque do plenário de hoje do Parlamento Nacional, que está a debater o pedido do Presidente timorense para a extensão do estado de emergência declarado devido à covid-19.

"É preciso um processo de investigação urgente para se saber se houve ou não ameaças e o uso de força para procurar matar a liberdade e a democracia", referiu.

Em causa estão alegadas pressões, inclusive com efetivos de forças de segurança, sobre José Naimori relativamente ao eventual apoio do seu partido ao atual Governo.

Naimori não fez ainda qualquer declaração publica até ao momento sobre os alegados incidentes.

O KHUNTO é um dos partidos que integrava o atual Governo -- alguns dos seus membros ainda são ministros -- mas que agora integra uma nova coligação que reúne a maioria dos membros do parlamento, liderada pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, outra das forças que apoiava o executivo.

O Partido Libertação Popular (PLP), partido do atual primeiro-ministro, assinou em março uma plataforma de entendimento com a Fretilin, com o apoio deste partido ao executivo a pretender garantir a estabilidade governativa.

No passado dia 14 de março, a Fretilin e o PLP convocaram a imprensa para uma cerimónia onde deveriam participar Taur Matan Ruak, José Naimori e Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, que poderia representar uma 'saída' do KHUNTO da nova coligação.

Esse encontro acabou por não ocorrer tendo, na altura, elementos da Fretilin alegado que houve pressão sobre Naimori para não ir à reunião.

Fontes da Fretilin referem ter recebido informação de que Naimori terá sido visitado por dirigentes do CNRT e por elementos armados que o terão pressionado.

Ainda assim dirigentes do KHUNTO afirmaram publicamente que o partido estava apenas a dar o seu apoio ao Governo no combate à covid-19 e que isso nada tinha a ver com a situação política no país.

Fontes do CNRT confirmaram que dois líderes do partido estiveram com Naimori mas que isso se tratou de uma reunião normal, no contexto da "consolidação" da nova aliança de maioria parlamentar.

Luis Roberto, deputado do KHUNTO, disse que era importante concluir a investigação rapidamente, criticando, no entanto, a tentativa de "politizar" o momento atual de estado de emergência.

Também Duarte Nunes (CNRT) defendeu a investigação para que o assunto seja clarificado "com transparência".

 

ASP // MIM

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