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Fomentar participação política das mulheres é trabalho de todos em Timor - embaixador português

16 de Setembro de 2020, 16:04

Same, Timor-Leste, 16 set 2020 (Lusa) - Fomentar a participação política das mulheres nas instituições timorenses, onde ainda não é igualitária, é um trabalho que deve ser feito do nível local ao nacional e envolver igualmente os homens, disse hoje o embaixador de Portugal em Díli.

"Numa sociedade em que a presença da mulher na participação política ainda não é igualitária, quando comparamos, por exemplo, o número de cargos políticos de relevância ocupados por homens e mulheres, é essencial uma sensibilização que parta do âmbito local para o nacional", disse hoje José Pedro Machado Vieira.

"O empoderamento das mulheres e a igualdade de género são pré-requisitos para alcançar a segurança política, social, económica, cultural e ambiental entre todos os povos e não devem ser consideradas, isoladamente, como um problema das mulheres", frisou.

O diplomata falava na vila de Same, 114 quilómetros a sul da capital timorense, Díli, na cerimónia de abertura da ação de formação de três dias "Mulheres Potenciais nos Partidos Políticos", desenvolvida pela Fundação CAUCUS, uma entidade timorense.

Intervindo na mesma ocasião, o vice-ministro da Administração Estatal timorense, Lino Torrezão, ecoou as palavras de Machado Vieira, sublinhando em particular a relevância do papel das mulheres no processo de descentralização em curso em Timor-Leste.

Torrezão aproveitou ainda a sua intervenção para defender a despolitização de cargos públicos e para garantir que os concursos de acesso à carreira de futuros funcionários municípios assentam no mérito.

A ação de formação, financiada com 5.000 dólares, beneficiará 30 mulheres e raparigas deste município, fortalecendo as suas capacidades de intervenção e participação política.

A Fundação CAUCUS é um dos projetos financiados pelo Fundo de Pequenos Projetos da Embaixada de Portugal em Díli e pelo Camões - Insituto da Cooperação e da Língua, tendo sido um dos selecionados no ano passado de entre mais de 40 candidaturas.

Com várias ações já apoiadas no terreno, o fundo tem por objetivo "minimizar necessidades reconhecidas no domínio social, em particular nos setores da saúde e da educação formal e não formal, identificadas por atores da sociedade civil".

O programa apoia organizações não-governamentais a "diminuir os índices de pobreza e exclusão social e a promover um desenvolvimento local integrado e sustentável, maximizando o envolvimento de determinados grupos-alvo em todos os domínios da participação cívica".

Machado Vieira recordou que continua a ser necessário ultrapassar os desafios colocados pelas "desigualdades e discriminações com base no género e, por outro lado, a pobreza e exclusão social" que o país ainda enfrenta.

"As mulheres são atores dinâmicos nos processos de mudança e agentes fundamentais de desenvolvimento, pelo que as sociedades e comunidades onde persistem discriminações com base no género, ao nível económico, político, social e cultural, são também sociedades e comunidades com maiores constrangimentos e entraves no seu processo de desenvolvimento global", notou.

Contribuir para empoderar as mulheres e avançar na igualdade de género, ajudará, disse, a "alcançar a segurança política, social, económica, cultural e ambiental entre todos os povos", questões que "não devem ser consideradas, isoladamente, como um problema das mulheres".

Dirigindo-se às participantes, o diplomata disse que todas "podem e devem ser líderes e agentes da mudança" com um "desempenho ativo na política", manifestando-se confiante que muitas sejam "candidatas às eleições municipais".

 

ASP // JH

Lusa/Fim

 


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