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Exército de Myanmar anuncia investigação sobre possíveis abusos a rohingyas

16 de Setembro de 2020, 20:49

Rangum, 16 set 2020 (Lusa) -- O exército de Myanmar (ex-Birmânia) anunciou que está a investigar alegados abusos cometidos durante ações militares em agosto de 2017 contra os rohingyas no oeste do país, provocando o êxodo desta minoria não reconhecida pelas autoridades birmanesas.

Num comunicado, o exército birmanês reconheceu pela primeira vez que, depois de analisar um relatório elaborado por uma comissão apoiada pelo Governo, "estão a investigar possíveis padrões amplos de violações entre 2016 e 2017 na região norte de Rakhine", onde estavam baseados os rohingyas.

Mais de 730.000 rohingyas fugiram para o Bangladesh como resultado das operações militares e pelo menos 10.000 pessoas foram mortas, segundo dados das Nações Unidas, durante a operação militar lançada em resposta a um ataque de um grupo guerrilheiro.

A operação - que relata assassínios, violações, tortura e vilas inteiras incendiadas - foi descrita por especialistas da ONU como "um exemplo de limpeza étnica" com "sinais de genocídio".

O exército nega a acusação, mas no comunicado publicado nesta terça-feira no media estatal A Nova Luz Global de Myanmar anunciou, além da investigação citada, a criação de um tribunal militar para julgar as tropas por envolvimento em incidentes em algumas aldeias.

Os militares, no entanto, não forneceram detalhes sobre os autores, crimes ou penas.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu um processo contra Myanmar por um alegado crime de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya, na sequência de uma queixa apresentada pela Gâmbia.

Aquele tribunal da ONU ordenou no início de janeiro que Myanmar tomasse medidas cautelares para proteger os rohingyas e prevenisse qualquer ato contemplado na Convenção de 1948 sobre genocídio contra aquela comunidade.

As autoridades birmanesas não reconhecem a cidadania aos rohingyas, pois são considerados imigrantes bengalis e impõem várias restrições a esta comunidade, incluindo a privação de movimento.

Quase um milhão de rohingya vivem em condições precárias em campos de refugiados no Bangladesh e também se arriscam a entrar ilegalmente, pelo mar, em países como a Indonésia e Malásia para fugir da perseguição em Myanmar.

CSR // VM

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